FEMIX 2026 - Feira recebeu 82 mil visitantes em cinco dias |
Seara receberá R$ 60 milhões em dois novos investimentos
-
- Vanduir Martini justifica atrasos na construção
ALIMENTOS Copérdia e Grupo Passarela anunciam negócios para o município.
A Cooperativa de Produção e Consumo Concórdia (Copérdia) chega aos 59 anos de atuação com uma trajetória marcada pelo crescimento, pela presença forte no agronegócio e relação direta com os cooperados e suas famílias. Ao avaliar o momento atual da Cooperativa, o presidente Vanduir Martini destaca os avanços alcançados na gestão, os resultados obtidos no primeiro semestre e os desafios que precisam ser enfrentados para sustentar o crescimento nos próximos anos.
Martini afirma que a Copérdia ocupa hoje uma posição de relevância no mercado e nos estados onde está presente, mas entende que sua importância é ainda maior nos municípios em que mantém unidades e desenvolve atividades, ajudando a promover o desenvolvimento econômico e social das comunidades. Ele aponta que a Copérdia tem cumprido seu papel ao investir no desenvolvimento das pessoas e na aproximação com os associados.
Um dos grandes avanços é o fortalecimento da transparência e da comunicação com os sócios, levando informações mais completas sobre o mercado, os negócios e as perspectivas de cada atividade. Nesse contexto, citou o desenvolvimento de programas como o Suíno em Foco e o Leite em Foco, que promovem encontros diretamente com as famílias produtoras. As reuniões permitem discutir o cenário de cada setor, apresentar perspectivas, esclarecer dúvidas e abrir espaço para questionamentos. “Isso representa um grande diferencial”. Vanduir Martini afirma que a experiência acumulada ao longo dos anos permite que a Copérdia chegue aos 59 anos mais madura e preparada para enfrentar os próximos desafios.
Na área de gestão, considera que houve uma evolução significativa no modelo adotado pela Cooperativa. “A governança alcançou um padrão compatível com o de uma empresa estruturada, apesar de que o processo de melhoria precisa ser permanente”. E reforça que o principal ponto de atenção está relacionado às estruturas operacionais. Justifica que há unidades que conseguem alcançar os objetivos estabelecidos com eficiência, enquanto outras apresentam desempenho abaixo do esperado. “Por isso, uma das prioridades é trabalhar na melhoria dos processos e das estruturas para tornar as operações mais eficientes e equilibradas entre as diferentes unidades”.
O aniversário de 59 anos é marcado por ações comerciais e de relacionamento. A Cooperativa promove campanhas com descontos como forma de estimular novos negócios e, ao mesmo tempo, realizou a tradicional confraternização com os cooperados a exemplo do corte do bolo no dia 4 de setembro, véspera da data do aniversário, simbolizando a celebração da trajetória construída ao longo de quase seis décadas.
Martini comenta que a Cooperativa adquiriu terrenos que deverão ser utilizados para a implantação de novos projetos. A estratégia busca preparar a Copérdia para as próximas etapas de crescimento e ampliar a capacidade de atendimento. O desempenho financeiro do primeiro semestre também é destacado pelo presidente, com os negócios realizados apresentando desempenho acima das expectativas, principalmente em relação ao controle das contas e ao faturamento. Ao mesmo tempo em que celebra os resultados positivos, identifica pontos que precisam ser melhorados, especialmente na eficiência de suas estruturas operacionais.
ATACAREJO
Seara deverá receber um investimento previsto de cerca de R$ 30 milhões da Copérdia. “O projeto está bastante atrasado”. Conforme o presidente Vanduir Martini, a demora ocorreu em razão da necessidade de realizar diversas alterações na estrutura. “Tivemos também algumas questões de ordem legal no andamento, especialmente no que diz respeito à legislação ambiental, que precisamos alterar. Agora está liberado e estamos solicitando autorização para o início da obra”, explicou. O investimento em Seara deve ser na construção de um atacarejo nas proximidades da Churrascaria Beira-Rio.
PASSARELA - Grupo investe R$ 30 mi em Seara
Seara está prestes a receber mais um grande investimento. O Grupo Passarela investirá cerca de R$ 30 milhões num centro de desossa, um frigorífico que irá manipular carcaças de bovinos e suínos. O montante a ser investido é resultado da aquisição da estrutura física que abrigava a empresa Van Hessen, em linha Bernardi, na adaptação da estrutura e na compra de equipamentos para automação dos processos.
A confirmação do investimento foi dada pelo CEO do Grupo Passarela, Alexandre Simioni. Aos 48 anos, ele divide seu tempo entre Concórdia, onde administra as unidades de Santa Catarina, e Lajeado- RS, onde acompanha de perto a evolução dos negócios no estado gaúcho. Hoje o Grupo tem 30 lojas em 26 cidades entre as bandeiras Passarela e Via Atacadista, sendo 16 no Rio Grande do Sul e 14 em Santa Catarina. E olha que a expansão para o RS iniciou apenas em 2021, chegando hoje a cidades como Caxias, Bento Gonçalves e Grande Porto Alegre. Somente em 2026 o Grupo Passarela está ganhando sete novas lojas. A mais recente foi inaugurada em Pinhalzinho na semana passada. Em 2027 serão mais oito unidades, sendo cinco no Rio Grande do Sul e três em Santa Catarina. No Estado Barriga Verde serão duas novas lojas em Chapecó e uma em Concórdia. Até o final deste ano o Grupo deve chegar a 4.700 colaboradores.
De 2025 a 2027 o total de investimentos chegará a R$ 602 milhões. Este montante inclui a instalação do frigorífico em Seara, o novo Centro de Distribuição de Teutônia-RS, a nova sede administrativa e a Central de Resfriamento e Congelamento, ambas em Concórdia, além da construção de uma indústria de bebidas em Chapecó. Há também aporte de recursos na D’Lena Alimentos, que produz a linha de panificados. A previsão para esse ano é de um crescimento no faturamento de cerca de 20% na comparação com o ano passado, atingindo aproximadamente R$ 3,6 bilhões, um resultado recorde.
Em entrevista ao Grupo Belos, Alexandre Simioni, que também preside a Associação Catarinense de Supermercados (ACATS) e é conselheiro da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), ressaltou que mais do que uma vontade, neste segmento expandir os negócios é uma necessidade. “Cada vez mais vamos ver aquisições e fusões no varejo. Tem muita gente desistindo por problemas de gestão, de sucessão ou pelas margens de lucro reduzidas”, explicou.
Entre os entraves para o crescimento das empresas, segundo Simioni, estão os juros altos, o endividamento da população e as dificuldades de mão de obra. Por isso, ao escolher o modelo de negócio, o CEO do Passarela analisa a realidade de cada local. Hoje o Via Passarela representa cerca de 80% do faturamento do Grupo, que hoje está entre as dez maiores redes do Sul o país e é a 37ª no país. “Em cada cidade que chegamos contribuímos com o desenvolvimento social e econômico”.
A história do Grupo Passarela tem origem em 1986, com uma lanchonete. Em 1990 foi inaugurado o primeiro supermercado. “É uma história bonita, que começou com os meus pais, seu Daniel e dona Helena”, lembrou Alexandre Simioni. Apesar de todas as dificuldades para quem investe no Brasil, ele tem um olhar confiante no futuro. “Temos que ser otimistas. Não podemos ficar só olhando os problemas. Eu sempre digo que as oportunidades estão da porta para dentro”.
Inauguração em 2027
A central de desossa em Seara deve entrar em operação no início do segundo semestre de 2027. Num primeiro momento serão criados cerca de 50 empregos diretos. O frigorífico terá capacidade de processar até 900 toneladas de carcaças de bovinos e suínos mensalmente, preparando cortes e produzindo embutidos para todas as lojas do Grupo. Atualmente cada unidade é que faz o próprio processamento. A matéria-prima suína virá da própria região. Já as carcaças bovinas serão trazidas do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Depois de manipuladas, as carnes serão levadas para uma central de resfriamento e congelamento que está sendo construída em Concórdia. A escolha por Seara se deu pela oportunidade de aquisição da estrutura da antiga Van Hessen, pela oferta de suínos e pela qualificação da mão de obra local. Neste momento ele descarta a implantação de uma loja em Seara. “Até olhamos alguns terremos, mas precisaríamos de uma área bem centralizada de cerca de dez mil metros. Quem sabe no futuro”, finalizou.

Deixe seu comentário