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Incentivo para deixar o vício

  • - Seu Avelino segue firme e determinado no propósito de parar de fumar

Programa do CAPS de Seara busca afastar a população de um hábito que provoca enormes problemas de saúde pública e compromete a qualidade de vida.

Na década de 1990, mais de 30% da população brasileira fumava. Já em 2019, devido às campanhas de educação e à criação de políticas públicas que restringiram a publicidade e proibiram o cigarro em locais fechados, o índice estagnou em menos de 10%, uma das menores taxas do mundo.
Entretanto, em 2024 o número de fumantes entre os adultos com mais de 18 anos voltou a subir. Atualmente, 11,6% da população se declara fumante de cigarro convencional. Os dados são da Pesquisa Anual da Vigitel.
Às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, o Folhasete chama a atenção para uma das principais causas evitáveis de doenças e mortes no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cigarro está relacionado a mais de 50 tipos de doenças, entre elas câncer de pulmão, enfisema, bronquite crônica, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). A fumaça do tabaco contém milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas.
O aumento do consumo nos últimos anos acende um alerta especialmente no contexto de popularização dos cigarros eletrônicos. Conforme a última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, entre adolescentes de 13 a 17 anos, a experimentação dos cigarros eletrônicos saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.
A nicotina, substância presente em todas as versões do cigarro, incluindo os eletrônicos, age diretamente no sistema nervoso central e provoca dependência química. Por isso, o tratamento é considerado fundamental para aumentar as chances de sucesso entre os fumantes que desejam parar. Oferecido gratuitamente pelo SUS, o acompanhamento reúne apoio psicológico, orientações médicas e, em alguns casos, uso de medicamentos e terapias de reposição de nicotina para amenizar os sintomas da abstinência. Em Seara, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o responsável pelos atendimentos.
De acordo com a coordenadora do órgão, Ivani de Oliveira, o suporte comportamental também faz parte do tratamento. “O tabagista precisa entender que necessita mudar comportamentos associados ao uso da nicotina. Da mesma forma, compreender o mecanismo da dependência em seu corpo e comportamentos, prejuízos e os benefícios que irão começar sentir com retirada da droga. Mas é fundamental ele estar determinado para essa mudança, pois exige que enfrente um processo que para muitos, é uma luta grande, mas que vale a pena”. O tempo de acompanhamento, segundo Ivani, pode durar até um ano. “O tratamento inicialmente é realizado de forma estruturada, com quatro sessões, uma cada semana e após com tempo mais espaçados. Também, conforme a necessidade, aplica-se outras terapias como aurículo e psicologia relacionada ao uso da nicotina”.
Atualmente, 14 pessoas estão em tratamento no CAPS de Seara. “As estatísticas demonstram que cada paciente que conseguiu abandonar de vez o uso da nicotina, necessitou realizar três tentativas. Esses dados conferem com a realidade do local, pois a maioria que inicia pela primeira vez, tende a interromper o tratamento”, comenta a coordenadora local.
Para Ivani de Oliveira, ações de conscientização contra o tabaco são fundamentais para informar a população sobre os riscos do cigarro e incentivar hábitos mais saudáveis. Especialmente nessas datas alusivas, Dia Nacional (29/08) e Internacional (31/05) de combate ao tabagismo, são realizadas ações em espaços públicos, em escolas ou instituições. “Principalmente agora, com essa questão dos cigarros eletrônicos. Nas mídias também, é importante fazer a divulgação em qualquer formato, seja escrito ou áudio, para atingir a população de uma forma geral”.

História

Seu Avelino Grooders, 66 anos, está há 10 meses sem fumar cigarro e ingerir bebida alcóolica. Os vícios, segundo ele, começaram ainda na adolescência e por 52 longos anos, o acompanharam e o debilitaram. Problemas no pulmão e no coração acenderam o alerta e o fizeram dar o primeiro passo em direção à sobriedade. Após as consultas com o cardiologista, iniciou o tratamento junto ao CAPS de Seara. “É difícil dar o pontapé inicial, às vezes falta coragem, mas eu consegui. Faz 10 meses que estou sem fumar e sem beber. O cigarro saiu da boca, mas não saiu do cérebro ainda, porque a mente prega peças. Então tem que ser muito forte”. Acrescenta que fumava dois maços por dia. “Eu não sentia o cheiro nas roupas, mas a família sentia. Hoje eu consigo sentir à distância. Agora também sinto mais sabor na comida”. Aos mais jovens, seu Avelino faz questão de dar um conselho. “Larga enquanto é cedo, porque quanto mais tempo você fumar, mas difícil será de parar. O cigarro não faz bem e é a porta de entrada para outras drogas. Eu sei o que passei e posso falar. Hoje me sinto muito melhor”.

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