Crise afeta integrados e independentes
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- Mauro Tochetto está na atividade há 40 anos
Produtor Mauro Tochetto diz que momento é um dos piores já enfrentados.
A suinocultura catarinense enfrenta uma das fases mais difíceis dos últimos anos. Mesmo com recordes nas exportações e destaque na qualidade sanitária, os produtores da região convivem com sucessivas quedas no preço pago pelo suíno, aumento dos custos de produção e o inevitável endividamento.
Segundo o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, a situação se agravou com a forte oferta de animais no mercado que provocou uma queda nos preços. “Produzir suínos com um custo de R$ 6,23 e receber numa média de R$ 5,05 realmente é insuportável”, afirma.
Nos últimos meses o setor registrou constantes quedas no preço do suíno vivo, incluindo uma redução de 50 centavos por quilo em uma única vez. Para o presidente da ACCS, o principal motivo é o excesso de produção. “Essa crise tem que ser resolvida pelas indústrias, pelas cooperativas, pelos produtores independentes reduzindo o plantel. É inadmissível de um ano para outro aumentar 105 mil matrizes num plantel. Como existe sempre essa questão de competitividade, um quer crescer mais que o outro e acontece então essa bagunça no mercado como está agora”.
Losivanio também aponta fatores macroeconômicos que contribuem para a crise. “Existem inúmeras explicações nesse momento para justificar o problema. É também questão de dólar baixo, preço baixo no mercado internacional e consumidores perdendo cada vez mais o poder de compra”, avalia. Apesar dos bons resultados das exportações, especialmente para o Japão, o retorno financeiro não chega ao campo. “A suinocultura vai bem, obrigado. Quem não está nada bem é o produtor”, resume.
A crise afeta de forma diferente os produtores independentes e os integrados. No sistema independente o criador assume os riscos de mercado, mas pode obter ganhos maiores em períodos favoráveis. “O melhor momento da suinocultura foi no ano passado a R$ 9 o quilo do suíno e para o mercado de integração ficou em R$ 6,80”, compara. Em contrapartida, durante as crises as perdas são maiores no mercado independente. “Tem produtores vendendo no mercado independente a R$ 4,80 e o mercado de integração está em R$ 5,05.”
O presidente da ACCS enfatiza que muitos produtores enfrentam dificuldades para honrar financiamentos e fazer os investimentos necessários devido à crise. Uma saída para recuperar o equilíbrio do setor passa pela redução da oferta. “A única alternativa que nós temos é a redução de plantel, uma medida que demanda tempo para surtir efeito, mas é necessária para adequar a produção ao consumo interno e às exportações”.
Ações tomadas em conjunto também seriam necessárias. “O setor como um todo deveria se reunir e trabalhar para que o produtor tivesse condições de ter margem de lucro sobre o custo durante os 12 meses do ano”, conclui o presidente da entidade.
Prejuízo
No campo as dificuldades financeiras só aumentam à medida que a crise se intensifica. Para os suinocultores independentes Valdecir Carlesso e Mauro Tochetto, de linha Água Bonita, interior de Seara, o prejuízo já é grande. “Trabalhamos a mais de 40 anos nessa atividade e é um dos piores momentos já enfrentados”, ressaltou Tochetto. O produtor atua com ciclo completo com cerca de 50 matrizes. “Estamos recebendo R$ 4,90 o quilo do suíno, sendo que o custo médio nosso é de R$ 6, ou seja, temos um prejuízo de mais de R$ 1 o quilo, ou mais de R$ 100 por animal vendido. É difícil continuar assim”. O produtor ressaltou ainda que produz parte dos insumos, como o milho, caso contrário a situação seria ainda pior.
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